6.7.09

ALGO QUE CERTAMENTE PASSARÁ BATIDO...



...será a reação do Exército chinês a muçulmanos da etnia uigur que protestavam nas ruas da cidade de Urumqi, localizada na província de Xinjiang. Segundo informações vindas de Pequim, pelo menos 140 pessoas morreram e houve 800 feridos. Esse foi resultado de protestos dos uigures contra o que consideram atos discriminatórios da etnia han, que corresponde a 90% da maior população do mundo.

Pois bem: como disse no título, isso passará em brancas nuvens - pelo menos para os ditos "progressistas" de todo o planeta, que fazem condenações a seu bel prazer, relativizando (quando não ignorando) o que seus ídolos e modelos de governo andam fazendo. A Guerra do Iraque e a ofensiva israelense em Gaza, por exemplo, foram condenados pelas esquerdas com veemência, assim como a derrubada do presidente de Honduras (até onde se sabe, dentro da Constituição do país), ao passo que esses mesmos arautos da justiça social deixam pra lá as agressões da Guarda Revolucionária Iraniana sobre cidadãos nas ruas de Teerã, os testes nucleares norte-coreanos, os massacres culturais do governo da China sobre as minorias... É a velha indignação seletiva em ação.

3.7.09

UM CASO POLÊMICO: NECESSÁRIO OU PERIGOSO?



O golpe militar que destituiu o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, é visto por muitos como a recordação de um período de pouca democracia no continente americano, e por outros como um aviso de que a democracia deve ser preservada, mesmo que por métodos pouco ortodoxos. Afinal, Zelaya se aproximava do bloco chavista-bolivariano e começava a querer adotar seus métodos, como projetos de estender mandatos e tentar seguidas reeleições, contrariando cláusulas pétreas da Constituição do país.

Se levarmos isto em consideração, podemos concluir que as Forças Armadas hondurenhas fizeram uma deposição preventiva, garantindo a realização das eleições marcadas para este ano, podendo até antecipá-las. Problema será se resolverem imitar os brasileiros dos anos 60, que apegaram-se ao poder depois de derrubarem o então presidente João Goulart, acusando-o de querer implantar um regime comunista no país... por mais razão que tenham tido. Nessa levada, eles ficaram quase 21 anos no poder. Que isso não ocorra em Honduras, e o processo democrático siga com normalidade.

1.7.09

SAI, SARNEY, NINGUÉM TE QUER MAIS



Um grande mistério que nos assola hoje é a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado. A sucessão de escândalos que envolvem seu nome é grande e faz vários partidos (muitos ex-aliados, como os partidos que o ajudaram a se eleger) pressionarem Sarney para que renuncie à presidência da Casa ou, pelo menos, se licencie. Mesmo o PT, ex-rival ferrenho e atual aliado incondicional (a ponto de o presidente Lula defendê-lo publicamente, dizendo que ele teria história suficiente para que não seja tratado como "pessoa comum" - o que faz um certo sentido, pois se não estivéssemos no Brasil, Sarney certamente seria punido mesmo sem ser comum), recomenda a licença, que vem sendo por ele recusada.

Todos sabemos que o Senado vive a maior crise de seus mais de 180 anos de história. Muitos senadores estão envolvidos em maracutaias (nenhuma novidade), fazendo com que um lamaçal seja sentido nos corredores do Congresso Nacional - mais uma vez, diga-se. A renúncia de Sarney seria apenas o primeiro ato de um imenso caminho de moralização, que passaria pelas eleições do ano que vem. Mas nós, os eleitores, teremos que colaborar para diminuir a vergonha que os políticos nos fazem passar. Isso leva tempo e capacidade de discernimento, e não creio que o eleitorado brasileiro em geral tenha disposição para se esforçar em conhecer, preferindo o velho esquema imediatista de sempre.

27.6.09

UM NOVO ELVIS?



A morte repentina e prematura do astro pop Michael Jackson causou, evidentemente, uma comoção mundial. E provoca muitas especulações a respeito do que virá daqui em diante. Ninguém discute o legado artístico do cantor, que revolucionou a cultura nos anos 70 e 80 do século passado com suas canções e coreografias, além de seus videoclipes que ajudaram a moldar o que é seguido até os dias de hoje. Tampouco o seu comportamento excêntrico, possivelmente resultado de uma infância difícil e de uma vida atribulada. Mas, sim, o quanto o astro será mais venerado após a sua morte do que era em vida, apesar de ter tido sempre o seu talento reconhecido.

É inegável que a imagem de Jackson foi se deteriorando a cada escândalo que envolvia o seu nome: comportamento bizarro, acusações de abuso sexual, gastança desenfreada de sua fortuna, supostos problemas de saúde... Mesmo assim, seu nome chamava mais a atenção pelo que fazia em cima dos palcos. Tanto que sua turnê marcada para pagar grande parte de suas dívidas, marcada para começar no mês que vem em Londres, já estava com todos os seus ingressos esgotados - o que ajudava a colocá-lo como o maior ícone pop de todos os tempos, exatamente como Elvis Presley é para o rock'n'roll, 32 anos depois de sua morte, também prematura.

Não duvidemos da força de seu nome para a música. Assim como ocorre até hoje com Elvis Presley, haverá imitadores de Michael Jackson por todos os lados. Tanto para faturar um dinheirinho extra, quanto para apenas homenageá-lo. Nada mais justo, em se tratando de um grande astro da cultura mundial, que influenciou e seguirá influenciando vários outros em todo o planeta.

25.6.09

HOJE, UMA MENSAGEM SE FAZ ALTAMENTE NECESSÁRIA...


22.6.09

E A TENDÊNCIA É PIORAR



Mais um fato confirma que, por mais que tentem negar, inexiste oposição no Brasil.

Três anos depois de dar o "beijo da morte" no candidato Geraldo Alckmin ao apoiá-lo de maneira nada discreta no segundo turno presidencial de 2006, o ex-governador fluminense Anthony Garotinho deixou o PMDB (onde vinha tendo atritos com o atual mandatário estadual) e se filiou ao PR. Em comum, os dois partidos têm o fato de apoiarem o governo Lula - este, de forma mais acentuada. Pois bem: quando se referia a Lula, Garotinho falou muitas coisas que, mal ou bem, eram as únicas verdadeiras que falava. Quando era governador, por exemplo, chamou o PT de Partido da Boquinha. Não era o nome de oposição ideal, mas era oposição... Pois sim!

Agora que filiou-se em um dos partidos mais ativamente governistas, Garotinho mostrou sua verdadeira cara - se é que algum dia ele já a escondeu. Declarou que pretende apoiar Dilma Rousseff (com quem militou quando os dois ainda estavam no PDT) para a presidência no ano que vem e disse que nunca teve um "antagonismo radical" com Lula (imagine se tivesse...). Agora é assim: quando o momento é favorável a quem está no poder, todo mundo corre atrás. Até mesmo quem o atacou com palavras duras. Taí o prefeito carioca Eduardo Paes que não me deixa mentir. E a tendência é piorar.

18.6.09

JORNALISMO É PARA QUEM SABE, MESMO QUE NÃO TENHA DIPLOMA


O Supremo Tribunal Federal derrubou nesta quarta-feira a obrigação de diploma para exercer a profissão de jornalista, que perdurava há quatro décadas, desde a época do regime militar - como era a Lei de Imprensa, revogada pelo mesmo STF em abril. Isso é encarado por muitos como uma espécie de banalização da profissão de jornalista, tão atacada (muitas vezes, sem motivo algum) nos dias de hoje. Não vejo desta forma: vejo, sim, como uma oportunidade de maior seletividade para a profissão, ainda mais nos tempos de hoje, em que a Internet se consolida como um meio de comunicação cada vez mais popular. Assim, os melhores se destacam e obtêm experiência e, acima de tudo, credibilidade. Há muitos exemplos assim na coluna que você pode ver à esquerda desta página.

O duro de aturar é a choradeira dos que se sentem atingidos pela decisão da instância máxima do Judiciário brasileiro. O que anda se lendo de barbaridade pela Internet não é brincadeira: há até mesmo quem ameace entrar na Justiça para pedir indenização pelos anos de faculdade estudados. Ora, a entrada na faculdade, teoricamente, é para aprender os princípios básicos do jornalismo que o pretendente não tenha aprendido através do bom senso, que todo jornalista deve seguir. O problema é que vários aprendem de forma errada e, mesmo assim, ganham o diploma e se dão o direito de serem chamados de "jornalistas" - assim mesmo, com aspas. Nossas redações estão cheias de exemplos assim.

Para ter sucesso em qualquer profissão, é necessário ser competente, acima de tudo. O blogueiro Raphael Perret, jornalista de formação, foi no ponto sobre esse assunto: nem o jornalismo será invadido por aventureiros que mal sabem escrever em português nem ele será definitivamente salvo por textos revolucionários e que mudem o planeta de uma hora pra outra. Nossos órgãos de comunicação não são loucos de baixarem o nível de suas divisões de jornalismo por bobagens. O jornalismo é muito mais que escrever bons textos: é, acima de tudo, para quem sabe fazê-lo - ainda que não seja formado em Jornalismo.

17.6.09

O IRÃ E SEUS APOIADORES (AINDA QUE NÃO SE DEEM CONTA DISSO)


Os protestos nas ruas de Teerã contra a suspeita apuração das eleições presidenciais iranianas demonstram o quanto a opinião pública é poderosa - mesmo correndo o risco de morrer, como aconteceu com pelo menos sete manifestantes, eles vão às ruas protestar contra a provável fraude que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad (mesmo porque nem no Brasil, onde o voto é 100% eletrônico, a "apuração" foi tão rápida quanto no Irã, onde o voto é manual).

Os eleitores de Mir-Hossein Moussavi o fizeram, diga-se, contra tudo e contra todos: governo (que claramente apoiava o atual presidente e só depois de muita insistência mudou de ideia quanto à recontagem de votos, ainda que apenas em redutos da oposição), polícia (ou a Guarda Revolucionária, que baixa o sarrafo nos manifestantes, segundo relatos de habitantes locais), imprensa (que, controlada pelo governo, apenas libera imagens de manifestações pró-governistas)... e governantes de outros países, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou a situação com uma briga entre torcedores de Flamengo e Vasco. E ainda exprimiu o desejo de visitar Ahmadinejad ainda esse ano! Para um país que decidiu abrir embaixada na Coreia do Norte, nada mais surpreende.

Como eu disse aqui, nada iria mudar nas relações iranianas com o Ocidente, fosse qual fosse o eleito. Mas não deixa de ser impressionante a quantidade de gente que tenta contemporizar quando das reações oficiais aos protestos, dizendo que fazem parte de um processo democrático. Acontece que democracia inexiste no Irã - nunca existiu. Até 1979, o país era governado pelo xá Reza Pahlevi (apoiado pelos Estados Unidos), que dominava o país com mão de ferro. Houve a Revolução Islâmica e a consequente troca de uma ditadura por outra - como ocorrera em Cuba 20 anos antes. Com a diferença de que, desta vez, é uma teocracia que mais parece inspirada em moldes comunistas de governo (baseado em vazias demonstrações de poder e no culto à personalidade), por mais paradoxal que possa parecer. Saiu a monarquia opressora da população, porém apoiadora dos americanos (por isso, odiada pela esquerda), entrou o regime dos aiatolás também opressor da população (porém, amado pelo incoerente, senão hipócrita, "progressismo").

Apenas pelo prazer de serem contrários aos Estados Unidos e a Israel (que não são santos, mas mesmo assim, por serem democracias plenas e sólidas, são preferíveis a qualquer ditadura), não raro esquerdistas apoiam o regime iraniano. Alguns chegam até a acusar Moussavi (que já foi primeiro-ministro do país, já participou ativamente do regime - ou não teria sido aprovado pelo líder supremo Ali Khamenei para ser candidato à presidência - e apoia o polêmico programa nuclear) de ser uma espécie de agente de interesses norte-americanos e israelenses. Como se fizesse alguma diferença ele ser eleito.

Mas os dias de hoje permitem ter uma visão mais abrangente dos fatos, com a rapidez de informação, assim como a facilidade em obtê-la e divulgá-la. O Twitter e o Facebook se tornaram grandes armas de denúncia contra o que está acontecendo. Isso tudo ecoa também aqui no Brasil, e o blogueiro Pedro Doria se destaca com sua cobertura do caso. Assim, pode ser que as pressões internacionais sobre o Irã surtam algum efeito. Como disse o colega Mr. X, pode ser que o regime dos aiatolás saia chamuscado do processo eleitoral e, com um pouco mais de esforço (sonhar não custa nada, já dizia aquele velho samba-enredo), até tenha seu fim. Embora eu, pessoalmente, ache difícil isso acontecer.

13.6.09

ELEIÇÃO NO IRÃ: QUAL A SURPRESA? QUAL SERIA A MUDANÇA?



As eleições presidenciais iranianas, para o Ocidente, representavam uma expectativa de mudança de relacionamento com a República Islâmica. Afinal, o Irã mantém um programa nuclear que jura servir para fins pacíficos. Mas as bombásticas declarações do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que nega o Holocausto e conclama à destruição de Israel, contrariam as opiniões iranianas aos olhos do mundo, com razão.

Nesta semana, as eleições presidenciais do país foram realizadas. Ahmadinejad tentava a reeleição, mas teria que enfrentar um forte candidato de oposição, o ex-primeiro-ministro Mir-Hossein Moussavi. Seu programa mobilizou grande parte do eleitorado, principalmente na capital Teerã, numa movimentação intermídias semelhante às das candidaturas de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos e de Fernando Gabeira à prefeitura do Rio de Janeiro, no ano passado. Mas Moussavi teria que enfrentar o mesmo problema do candidato verde na eleição carioca: a parte apta a votar que é chegada num populismo - percebam que isso não é exclusividade do Brasil, muito pelo contrário. Isso pode ter sido decisivo para a reeleição de Ahmadinejad...

Eu disse "pode ter sido" porque há fortes indícios de fraude nas eleições iranianas. Não duvido nada que tenha acontecido, pois o atual presidente foi reeleito, em primeiro turno, com cerca de 62% por cento dos votos. Uma votação expressiva, dada a mobilização em torno do oposicionista Moussavi. Pessoalmente, acho até mais provável que uma fraude tenha ocorrido, pois os aiatolás jamais permitiriam mudanças no statu quo da Revolução Islâmica. Oito anos (1997-2005) de governo de Mohammad Khatami, o menos conservador dos presidentes iranianos desde 1979, já foram demais para eles.

Além disso, não haveria mudanças significativas caso Moussavi fosse eleito. No Irã, o presidente é mera figura decorativa perto de quem realmente manda - o líder supremo Ali Khamenei, substituto de Ruhollah Khomeini, falecido em 1989. O líder máximo dos aiatolás e do país como um todo é considerado o verdadeiro governante dos iranianos, não importa quem seja o presidente. É ele quem sustenta o regime imposto pela Revolução Islâmica de 1979, além das provocações à civilização ocidental. Ou seja, passa pelo líder supremo tudo que diga respeito ao regime do país - inclusive o suspeitíssimo programa nuclear iraniano.

11.6.09

O QUE UMA ABSTINÊNCIA NÃO É CAPAZ DE FAZER...



  • Filme: A Mulher Invisível (Brasil, 2009)
  • Direção: Cláudio Torres
  • Elenco: Selton Mello, Luana Piovani, Vladimir Brichta, Maria Manoella, Fernanda Torres, Paulo Betti, Maria Luísa Mendonça

A comédia de Fernando Torres conta a história de um controlador de tráfego que julgava ter uma vida perfeita. Um dia, porém, sua mulher não só anuncia querer o divórcio como declara estar grávida de seu amante. Ele entra em parafuso com o baque, busca se consolar com várias mulheres e não encontra em nenhuma delas a felicidade que tinha com a ex-esposa. Ele surta, decide se fechar para o mundo e, quando menos se espera, surge em sua vida a mulher perfeita. Com um único problema: ela é apenas fruto de sua imaginação...

Sob esse tema, surgiu um filme divertido. Mesmo os clichês referentes aos desejos masculinos, como o pretexto da xícara de açúcar, são usados a favor do roteiro. As atuações também fazem parte do bom pacote que a produção representa para quem quer ter cerca de duas horas de bom entretenimento. E afirma que o que se procura pode estar a seu lado, quando menos se espera.